Code review não se resolve com mais code review

2026-03-04

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Ninguém nunca gostou de fazer code review. Quanto mais arquivos no PR, menos gente revisava. Isso já era assim em 2023. Agora, em 2026, agentes de IA geram a maior parte do código e o problema de review ficou exponencialmente pior.


Mais IA significa mais coisa pra revisar

Muitas empresas acreditam que dá pra apagar fogo com mais fogo. A lógica é: se a IA gera código demais pra revisar, coloque outra IA pra revisar. Isso não faz sentido. Mais IA gerando código significa mais coisas pra alguém (ou algo) validar. O volume não diminui, ele muda de mãos.

Lá em 2014, o Facebook aprendeu que “Move Fast and Break Things” não escala e trocou o lema pra “Move Fast with Stable Infra”. A mesma ideia que a lógica industrial, o Modern Agile, já defendia. Hoje, você ouve isso com o nome de “guardrails”. O conceito é o mesmo: velocidade sem estrutura é só caos acelerado.


O problema é que review é manual

Agentes de IA já tiraram de nós a parte divertida de programar. Não deixe que eles também nos transformem em QA manual glorificado. O que precisamos é substituir revisão humana repetitiva por automação via código.

Código é determinístico. Código é confiável. E o ponto principal: as mesmas coisas são corrigidas em code review, repetidamente, PR após PR. Se você está corrigindo o mesmo tipo de problema pela terceira vez, isso não deveria ser um comentário no PR. Deveria ser um lint, um teste, uma regra automatizada.


Mais testes (de verdade) do que nunca

Quando humanos escreviam todo o código, já tínhamos medo de quebrar coisas. Agentes de IA vão quebrar tudo, o tempo todo, pra sempre. E agora precisamos testar coisas que historicamente negligenciávamos porque era caro demais ou porque sempre existiam problemas maiores pra resolver:

  • Suítes de teste robustas e confiáveis
  • Testes de CSS e layout
  • Testes de observabilidade
  • Testes de infraestrutura
  • Testes de configuração
  • Testes de componentes DevOps: Terraform, Kubernetes, ArgoCD e outros

Mas não basta ter testes. Precisamos ter senso crítico pra distinguir testes bons de testes ruins. Um teste que passa sempre, não importa o que mude, é pior do que não ter teste nenhum, porque dá falsa confiança. Precisamos entender o que faz um teste ser útil pra julgar se estamos melhorando nossa cobertura ou apenas inflando números.

A era dos agentes de IA não pede menos engenharia. Pede mais. Só que de um tipo diferente.